sábado, 9 de março de 2013

NUNO BALTAZAR


COLEÇÃO OUTONO / INVERNO 2013/14

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EM CONVERSA COM NUNO BALTAZAR

Daily ModaLisboa - O mundo mudou e todos fazemos parte deste movimento de mudança. Como se adapta a Moda a esta transformação?
Nuno Baltazar - A Moda e os seus principais protagonistas adaptam-se de uma forma quase esquizofrénica. Tantas vezes refletindo essas mudanças, outras antecipando-as, transformando-as e elevando-as. Acabamos por respeitar e adaptarmo-nos aos momentos mais difíceis ao mesmo tempo que temos, de alguma forma, a responsabilidade de relegar essas dificuldades para 2º plano e fazer com que o "sonho" continue.

- Qual é para si a definição contemporânea de luxo?
Talvez seja mesmo não procurar uma definição ou um código estético. Acho que passa muito por aí. Por não estar fechado a pressupostos de marcas, locais e comportamentos. O luxo pode estar no melhor dos relógios, na melhor das malas ou num jantar simples e despretensioso numa tasca portuguesa.

- No atual conceito de moda o que valoriza mais: o design ou o corte?
São indissociáveis. O design está errado se o corte não funciona. O que realmente marca a diferença é trabalhar as coleções como um todo sem nunca esquecer para quem se dirige o que desenhamos. O que verdadeiramente valorizo são as mulheres e as histórias visuais que construo para elas.

- De todas as coleções que já desenhou, qual foi para si a mais memorável?
É uma resposta quase impossível. Já são 29 coleções: 10 Cravo|Baltazar + 19 Nuno Baltazar. Uma só não consigo escolher. Algumas foram mais memoráveis pelo processo de construção, outras pelo resultado final. Tenho especial carinho pelas coleções de inverno. Para mim as coleções mais marcantes acabam por ser aquelas cujos temas são mais pessoais, cujas pesquisas e o processo foram mais intensos. Nomear uma ou duas é impossível. Todas fazem parte de mim de uma forma muito intensa e com a proximidade da 30ª, em jeito de preparação para o balanço, percebo que todas foram importantes neste percurso. Mesmo as que me correram menos bem.

- Gosta de voltar a coleções antigas e dar-lhes uma nova vida?
Nunca o fiz mas tenho imensa vontade. Recupero sempre algumas formas, detalhes e até cores, mas nunca os temas. Essa recuperação surge como uma evolução natural do desenvolvimento em desenho de formas e detalhes que não sinto esgotadas. Mas os temas ainda não o fiz. Tenho a certeza que um dia acontecerá mas quero dar mais espaço para que eu próprio possa amadurecer como designer e ser capaz de um olhar mais exterior sobre o que já fiz e como voltar a temas mais especiais.

- O que o inspirou e quais as suas propostas para o outono / inverno 13/14?
Esta coleção tem sido uma enorme surpresa para mim, pelo método de construção e evolução do próprio tema. Pela percepção da contemporaneidade do tema que escolhi: o filme de 1992 “Orlando”. A construção de um novo Orlando neste século, uma interpretação da viagem do nobre inglês pelos 400 anos de vida e a projeção do como seria hoje este personagem andrógeno, as suas oscilações entre looks femininos ou masculinos, na procura de uma nova identidade. Essa é também a procura desta coleção, novas experiências de volume e cor, mantendo a identidade da marca. Reinterpretações depuradas de detalhes de época, linha Coccon e H, golas de grande dimensão e especial destaque para o trabalho de ombros e mangas, pregas e aspectos masculinos. Crepe e estruturas compactas de lãs coordenadas com boclées, jacquard lurex, astracan e telas de cupro, viscose e seda natural. Uma paleta direta, preto, caramelo, musgo e off white, esmeralda, fuschia e wine. Os acessórios reforçam o caráter depurado e masculino da coleção com botins, clutches e cintos em peles clássicas em preto e caramelo.



DESFILE



FOTOGRAFIAS: © RUI VASCO


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